Thursday, January 13, 2011

Dance Masters vs. Dance Central

Muita coisa aconteceu desde o último post.

Como o sortudo proprietário de um Kinect, não posso deixar passar a oportunidade de fazer um review dos dois primeiros jogos de dança (que também sou proprietário) que saíram para ele. Digo "sortudo" pois pra achar um Kinect agora pelo preço sugerido de R$599 tem que ter muita sorte mesmo. O preço do negócio tá entre R$800~1000 agora. Boa sorte pra vc se for adquirir um.

Antes de começar, alguns avisos.

Esse "review" será totalmente parcial e biased. Não espere nada ao nível de uma revista profissional de games ou algo assim. Quem me conhece sabe que acho Dance Masters MUUUUUITO melhor que Dance Central. Como tudo neste blog, espere gongadas em ambos jogos. E como sempre, não esqueça de tomar nota do Disclaimer ao lado.

Dance Masters (DM)

Jogo da Konami, a responsável pelo único jogo de Parapara do mundo (PPP). Como não podia deixar de ser, um acessório sensorial clamava por músicas de parapara. A setlist é quase que em sua totalidade músicas originais da Konami, com exceção de duas licenciadas da Avex Trax, que são "Night of Fire" e "Yesterday".

Dance Central (DC)

Jogo da Harmonix, que faz a série Rock Band. Obviamente, não tem parapara, pois eles nem devem saber que porra é essa, e tenho certeza que o público-alvo também não dá a mínima. A setlist contém apenas músicas licenciadas e famosas no mainstream, como Lady Gaga, Rihanna e outros troços que as miguxas adoram.

A seguir, comentarei de ambos os jogos em escopos específicos.

Setlist

Com 30 músicas (inicialmente), ambos os jogos trazem uma certa variedade de estilos. Pop, Hip-Hop, World Music, Dance, etc. Mas o conteúdo, em um escopo geral, é muito distinto.

DM contém quase que apenas músicas da Konami, mas de variados estilos. Pra quem gosta de DDR e outras séries da empresa, vai gostar bastante da setlist. Mas para o outro restante da população (maioria), não é atraente. É difícil engolir uma música que nunca foi ouvida na vida, quanto mais aprender a dançá-la. Além disso, nenhum DLC de música foi lançado ou anunciado até o momento deste post.

Apesar de DM ter 30 músicas, o jogo começa com 20. Existem alguns sets, categorizados por estilo musical, que quando passados com nota geral A, liberam outros sets, e mais músicas, em um total de 30. Infelizmente, o conceito de locked songs já ficou ultrapassado nos jogos atuais. Jogos de dança ou música são "party games", o jogador deve se divertir com eles right out of the box, no strings attached. Ter que destravar músicas é um saco. O pior de tudo é que as músicas mais legais são justamente as que precisam ser destravadas.

DC tem um setlist mais voltado pras biluzinhas que ficam o dia todo na Energia FM. A setlist é muito appealing para o público em geral por serem músicas conhecidas. Até mesmo os que gostam de Konami music (mas que ainda assim ficam ouvindo Energia FM), irão gostar da setlist. Todas as músicas vêm destravadas, com exceção de sets, que nada mais são que músicas juntas, ou seja, nada novo. O jogo também já tem vários DLCs disponíveis para baixar.

Winner: Dance Central

Navegabilidade

DM possui uma navegação básica. Para alterar entre as opções, o jogador coloca a mão direita à frente, na altura do peito, e move a mão para um lado e para o outro para escolher as opções. Este controle é difícil a princípio. Para selecionar, JOGUE A MÃO PRO ALTO, bem show de axé mesmo. Para retornar, jogue a mão esquerda pro alto. É uma navegação meio cansativa. Além disso, os itens são dispostos na horizontal, e isso é uma desvantagem para listas com muitos itens.

No DC, a mudança de opções é feita colocando a mão direita para o lado. A escolha é feita movendo o braço para cima ou para baixo. Para selecionar, faça um "corte" na direção oposta ao braço. É uma navegação mais controlada e menos cansativa, além do que o "corte" com o braço é algo cool, saca. Pela navegação ser vertical, os itens também são dispostos desta maneira, tornando listagens grandes muito mais fáceis de se navegar, além de ficar mais bonito na tela.

Winner: Dance Central

Gráficos

É aqui que DC senta no pudim.

Já é sabido que o character design dos jogos da Harmonix são bastante caricatos. Eu pessoalmente acho os avatares do Rock Band horríveis, uma merda, muito mal feitos, mas muito mesmo. Os cabelos de massinha, por exemplo, chegam a irritar. No DC não podia ser diferente. Todos os personagens seguem o padrão RB, com cabelo de massinha e tudo.

Os cenários, o que dizer? Um barzinho chinfrin, uma doca de fudido, só os cenários underground. É tão fail que durante uma música, se o jogador vai bem, o cenário enche de NEONS. Tipo, oi nexo?? A doca vai virar uma boate agora? Sem falar que quando os neons estão na tela, mal dá pra ver o cenário.

Os movimentos dos dançarinos também são péssimos, em sua grande maioria. Dá pra perceber que não houve motion-capture (mocap). As animações são bem travadas em comparação à animações mocap. A impressão que fica é de um boneco dançando na tela, e não uma pessoa.

Já no DM meu amor, o character design é realista e de alto nível. Não é tão perfeito quanto a outros jogos que prezam por modelos realistas, mas não faz feio, at all. As roupas da personagem feminina (vou chamar de loirinha) são muito bem detalhadas. As do personagem masculino (que vou chamar de negão) também. A variedade de roupas é demais. Cada estilo musical tem uma roupa diferente. Destaque para as paralistas colegiais, e o design disco.

Os cenários no DM são épicos, e não coisas de fudido como em DC. Até os cenários underground, tipo a estação de metrô, são maravilhosos. Tem até o trem passando, com efeito sonoro e tudo! E os efeitos do cenário, ao contrário de atrapalharem a música, ajudam na imersão do jogador dentro do cenário, pois os volumes são bem controlados. Tem também o topo do arranha-céu com chão luminoso, e ao fundo, o detalhe da cidade à noite, toda iluminada. Lindo demais. Todos os cenários são ótimos, não há um que não se destaque. Tem a boate também, onde passam algumas músicas de parapara, e o cenário no meio da rua, que tem grades de proteção separando o público dos dançarinos, sons de carro passando ao redor, a platéia, muita sujeira (tipo época de eleição, santinhos pra todo lado), ou seja, tudo muito real e cool.

Todas as músicas de DM foram feitas com mocap. Inclusive nos créditos, são mencionados os nomes dos dançarinos que fizeram as capturas. Apenas como referência, RICHIE fez o capture de três músicas de parapara ("Night of Fire", "Yesteday" e "Can't Stop Falling in Love"), UGA fez duas músicas ("Super Samurai" e "Still in My Heart"), e a SAKI fez uma ("My Only Shining Star"). Algumas músicas nao-parapara ficaram simplesmente perfeitas, como "Unity", "Mess With My Emotion", e outras do gênero disco. Ao contrário de DC, é perceptível ter a impressão de uma dança de verdade que é dançado por alguém de verdade, e não algo robótico e wonky.

DM ainda tem outro diferencial: o modo "Live Capture", onde o jogador aparece na tela, como se estivesse dançando ao lado dos modelos 3D. Essa captura não é perfeita, tem um delay bem expressivo entre os seus movimentos e o frame na tela. O Kinect também exibe algumas falhas na captura em algumas condições de iluminação. Mas para um primeiro jogo que utiliza a tecnologia, não está nada mal. Outra feature interessantíssima é salvar a performance de uma de suas danças para que ela tome o lugar de um dos quatro modelos 3D que ficam atrás do modelo principal. Quando vc salva sua performance, ela aparecerá sempre que vc jogar a música, e o melhor de tudo, que o seu modelo é sincronizado com os demais, sem o delay que existe durante a filmagem. Você pode se "arrumar" pra ficar bonito na performance, dar o seu melhor, gravar a performance, e então colocar o video no Youtube. :P

Só uma coisa nos gráficos que eu não gosto no DM: os dançarinos cantam durante a música. Isso não seria tanto problema se eles não ficassem sérios o tempo todo. Sério, eles nunca sorriem. 

Winner: Dance Masters

Jogabilidade

No DC, o jogador precisa seguir os passos que são apresentados em "cards" que vão sendo apresentados na tela. A ilustração do card dá uma noção do movimento que o jogador tem que fazer. Estes cards tem nome, e são aproveitados em várias músicas. Ou seja, um jogador que sabe um movimento que aprendeu em outra música, vai saber fazer o movimento em todas as músicas que usam este card. Este sistema exige que o jogador realmente faça o passo descrito, o que faz com que ele realmente aprenda o passo.

As dificuldades das músicas (Easy, Medium e Hard) se diferenciam pela quantidade de cards diferentes e a complexidade dos mesmos. Nas músicas Easy, um mesmo card, de movimento fácil, repete várias vezes. Já no Hard, vários cards diferentes são apresentados, com passos mais complexos.

No DM, são usados indicadores posicionados no cenário indicando onde que o jogador precisa acertar. Não é um sistema que exige que o jogador faça o passo exatamente como é descrito. Isto tem vantagens e desvantagens. Não ter que fazer o passo exatamente como aparece na tela torna o jogo mais amigável para quem está iniciando, que tem apenas que acertar o indicador, pelo menos nos níveis mais fáceis. Nos diversos níveis de dificuldade (Light, Standard, Extreme, Stealth e Master), a quantidade de indicadores varia, e também os tipos deles. Mas é claro que não é só sair acertando os marcadores com qualquer coisa (mão, pé, cabeça, etc), pelo menos nos níveis de dificuldade avançados. Alguns indicadores, como o de pose, onde aparece uma silhueta verde do dançarino na tela, devem ser feitos exatamente como descritos, ou seja, não dá pra "burlar" nesse caso. E os indicadores são quase sempre usados em conjunto. Vários indicadores podem aparecer ao mesmo tempo e devem ser acertados simultaneamente, induzindo o jogador a fazer o passo exatamente como está descrito na tela.

No DM, tem "Star Power", conhecido inicialmente nos jogos da franquia Guitar Hero. Para ativá-lo, o jogador precisa encher a "Dance Gauge", um círculo que fica no canto inferior direito da tela, então segurar o braço direito em direção ao contador, esperar um outro marcador encher (coisa de 1~2 segundos), e então levantar o mesmo braço. É um movimento difícil de fazer no meio da rotina. Durante o Star Power, o cenário muda, fica um background "espacial", um vortex ou whatever, e durante esse modo, é possível destravar os "secret ripples". Não gostei deste modo pois o modo de ativação incita que o jogador quebre a coreografia. Em dificuldades avançadas, essa ativação fica bem difícil. O jogo poderia ser tão bom quanto é, sem este modo.

Em ambos os jogos, a intenção do jogo é que o jogador aprenda a coreografia da música. Nesse sentido, DM leva vantagem, pois o uso de indicadores dá uma melhor noção do movimento que deve ser feito. Estes indicadores aparecem momentos antes do movimento propriamente dito. Os cards usados no DC são mais baseados em memória do movimento (vc olha pro cartão e deve lembrar do movimento) e por isso não são tão intuitivos.

Winner: Dance Masters

Opções de Jogo

O modo "Lesson" do DM é uma derrota. Ele ensina o básico dos "ripples", como são chamados os indicadores. Não existe um modo "Lesson" por música, tipo, quero aprender tal música passo a passo. O countdown pra começar a lesson é fora do tempo da música, e isso não faz sentido. Pra aprender uma música, só jogando ela no Light várias vezes até memorizar a coreografia.

O grande trunfo do DM neste quesito é o modo Dual, para jogar com duas pessoas ao mesmo tempo. Mas ainda assim não é perfeito. Em um modo de múltiplos jogadores, é esperado em QUALQUER jogo de Xbox que cada jogador esteja associado ao seu próprio perfil na Live. Não é o que acontece. Ambos jogadores são atrelados ao mesmo perfil, inclusive existem conquistas (Achievements) para um perfil único baseado em conquistas no modo Dual. Um erro de arquitetura, na minha opinião. Mas ainda assim, jogar de dupla compensa, e é muito divertido.

No DC, cada música tem o modo "Break It Down", para cada dificuldade da música. Como diz o nome, ele quebra a música em pedaços e ensina, passo-a-passo, cada pedaço. O jogador ainda tem a opção de deixar a música mais lenta para que o passo possa ser aprendido mais facilmente. DC ainda possui um modo "Workout", onde o jogo registra as calorias que perde enquanto dança.

DC não possui modo para dois jogadores.

Devido às vantagens distintas dos dois jogos, fica difícil escolher um como o melhor. DM tem o modo Dual, enquanto DC tem o modo Break It Down.

Winner: Draw

Coreografias

Quando fui ver o trailer de "Disturbia" by Rihanna, disponibilizado como DLC recentemente no DC, achei uma bosta. Quando a música não tem a coreografia oficial, são pegos vários passos mongóis e então juntados. Fica totalmente ridículo. Mas não é só DLC que sofre com isso. Várias músicas no DC têm coreografias não-oficiais. "Poker Face", da Lady Gaga, é o exemplo mais clássico. A coreografia (não-oficial) é uma bosta, e ridícula de fácil, até mesmo no Hard.

Mas existem as coreografias oficiais também. "Just Dance", também da Lady Gaga, é o melhor exemplo. A coreografia é a oficial, e portanto bastante complexa. De um modo geral, as coreografias das músicas são "okay". O fato que não foi feito mocap nos movimentos atrapalha bastante, especialmente pra quem é nit-picky como eu.

Eu simplesmente odiei o modo freestyle do DC. Mas admito que é um momento divertido, pra quem gosta de zoar. Eu não gosto. Os gráficos durante o freestyle são uma merda, o jogador vira uma geléia multicolorida. Já as bunita que gostam de barulho de foto vão adorar, pois é nesse momento que o jogo tira fotos do jogador.

No DM, 100% das músicas são coreografias oficiais. A maioria delas é bastante complexa, com exceção das paraparas, que já estamos cansados de ver, e até mesmo as rotinas novas, que dá pra tirar de letra. Bom, pelo menos não-complexa pra gente, né. Pra quem nunca dançou parapara na vida, deve ser complexo tb.

A coreografia de algumas músicas me surpreendeu, tipo "My Summer Love" (Mitsu-O! with Geila). É, aquela do DDR mesmo. A rotina é bem divertida, e não tão difícil. Eu não gostava da música antes, achava ela bem sem graça, mas a rotina mudou tudo. Aliás, isso é coisa comum de acontecer com músicas eurobeat, após assistir a rotina. A coreografia de "Hysteria 2001" (NM) é maravilhosa, uma das melhores do jogo na minha opinião. É um hip-hop, então os movimentos são difíceis, com tempos bem marcados. Outras rotinas que gostei foram "Mess With My Emotions" (Latenighter), "L'amour et la liberté" (NAOKI in the MERCURE), e "La receta" (Carlos Coco Garcia). Todas bem complexas, mas ainda assim divertidas.

Dentre as músicas chatas, estão "Afronova Primeval", "Crazy Control" e "Brilliant 2U". Afronova é especialmente mongol, tb pudera, uma música "macaca" dessas, tinha que ter uma coreografia à altura. B2U é um saco, rotina bem mal-feita. Uma pena, pq a música é levemente legal.

Desnecessário dizer que todas as seis rotinas de parapara são legais. Sim, até mesmo "Super Samurai". :D

Winner: Dance Masters

Overall

Dance Masters é um jogo mais sério, que não tem muitas features "Quality of Life". Veio pra mostrar o que a Konami pode fazer com o Kinect.

Dance Central apostou pesado em usar músicas licenciadas e fazer um jogo mais amigável, mais família, como é de praxe nos jogos da Harmonix.

Minha dica? Compre os dois.

Winner: Both 
(mas Dance Masters é melhor. :P)

1 comments:

JuKa'aS said...

falou tudo o que eu pensava, incrivel;
Merece palmas xP